Um diálogo produtivo entre a nova história intelectual e os estudos historiográficos

Autores

  • Luis Claudio Palermo Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, luisclaudio72@gmail.com

DOI:

https://doi.org/10.5216/rth.v24i1.55714

Palavras-chave:

História intelectual, Historiografia, Teoria e metodologia da história.

Resumo

Este artigo tem como ponto de partida o desenvolvimento da história intelectual no século XX, fornecendo especial atenção às mudanças propostas por Quentin Skinner e Reinhart Koselleck. Nesse percurso, contexto e processo histórico são elementos que emergem como primordiais para a superação das ideias como essências. Salienta-se, em seguida, a ampliação das possibilidades teóricas na história intelectual com a problematização dos contextos de recepção das ideias. O argumento se desenvolve no sentido de postular que alguns dos importantes conceitos atuais – dentre os quais o de tradições eletivas – sustentam que a problematização do contexto do pesquisador pode ser visto sob a luz das noções de contexto e processo. A proposta desenvolvida no artigo lastreia-se nessas perspectivas para postular que os referenciais teóricos e conceituais dos pesquisadores são prolíficos para uma problematização densa no campo da historiografia. Nesse sentido, a subjetividade do pesquisador é considerada como produtiva e interconectada a uma rede de referências teóricas e conceituais. A conclusão é que o produto final – o trabalho historiográfico – não é resultado somente de chaves epistemológicas, mas também contempla o modo como o historiador se insere no seu campo.

Biografia do Autor

Luis Claudio Palermo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, luisclaudio72@gmail.com

Professor substituto de Ensino de História na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (UERJ) e Doutor em História pelo Programa de Pós-Graduação em História (UERJ) (http://lattes.cnpq.br/7938969429553227).

Referências

ADOLFO, Roberto Manoel Andreoni. “As transformações na historiografia da escravidão entre os anos de 1970 e 1980: uma reflexão teórica sobre possibilidades de abordagem do tema”. In: Revista de Teoria da História, Ano 6, Número 11, Maio/2014 Universidade Federal de Goiás. ISSN: 2175-5892.

AMBROSINO, Diego Rafael. “As “viradas” lingüística, histórica e interpretativa: novos paradigmas teóricos em História das Idéias e a relação estrutura / agência”. In: 34º Encontro Anual da Anpocs, setembro de 2010 (ST 34 - Teoria Política: instituição e ação política. Sessão 2 – Ação e Pensamento Políticos: entre o telos aristotélico e a teoria política sem telos).

ARMANI, Carlos Henrique. “História intelectual e redes contextuais”. In: Anos 90, Porto Alegre, v. 20, n. 37, p. 137-150, jul. 2013.

AVELAR, Alexandre de Sá; GONÇALVES, Márcia de Almeida. “Giro linguístico e escrita da história nos séculos XX e XXI – Elementos para um debate”. In:

MEDEIROS, Bruno Franco; DE SOUZA, Francisco Gouvea; BELCHIOR, Luna Halabi; RANGEL, Marcelo de Melo; PEREIRA, Mateus H. F. Teoria e Historiografia: Debates Contemporâneos. Jundiaí: Paco Editorial, 2015.

BURKE, Peter. A escola dos Annales (1929-1989): A revolução francesa da historiografia. São Paulo: Unesp, 1997.

CALDAS, Pedro Spinola Pereira. “A nova história cultural (i)”. In: TEIXEIRA, Felipe Charbel; CALDAS, Pedro Spinola Pereira. Historiografia contemporânea. v. 1. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2012b, pp. 231-260.

CARDOSO, Ciro Flamarion. “História e paradigmas rivais”. In: CARDOSO, Ciro Flamarion & VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da História. Rio de Janeiro: Editora Campus (Elsevier), 1997. pp. 1-23.

CATROGA, Fernando. CATROGA, Fernando. Memória, história e historiografia. Vol. 1. Universidade de Wisconsin – Madison: Quarteto, 2001.

CHAUBET, Francois. “Enjeu - Histoire des intellectuels, histoire intellectuelle - Bilan provisoire et perspectives”. In: Vingtième Siècle. Revue d'histoire 2009/1 (n° 101), p. 179-190.

ELIAS, Norbert. Sobre o tempo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.

ESCOSTEGUY FILHO, J. C. “Reflexões sobre agência e estrutura na historiografia da escravidão”. Revista Tessituras, v. 6, p. 102-117, 2015.

FALCON, Francisco. “História das idéias”. In: CARDOSO, Ciro Flamarion & VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da História. Rio de Janeiro: Editora Campus (Elsevier), 1997. pp. 61-90.

FERNÁNDEZ SEBASTIÁN, Javier. “Tradiciones electivas. Cambio, continuidade y ruptura en historia intelectual”. In: Almanack. Guarulhos, n.07, p.5-26, 1º semestre de 2014.

FRANZINI, Fábio. “Inovação, tradição, historiografia: um breve diálogo com Javier Fernández Sebastián”. In: Almanack. Guarulhos, n.07, p.33-37, 1º semestre de 2014.

GOMES, Tiago de Melo. “A Força da Tradição a persistência do Antigo Regime historiográfico na obra de Marc Bloch”. In: Varia Historia, Belo Horizonte, vol. 22, nº 36: p.443-459, Jul/Dez 2006.

HOBSBAWM, Eric. Introdução: a invenção das tradições. In: HOBSBAWM, Eric; RANGER, Terence (orgs.). A Invenção das Tradições. São Paulo: Paz e Terra, 2006. pp. 9-23.

JASMIN, Marcelo Gantus. “História dos conceitos e teoria política e social: referências preliminares”. In: RBCS. v. 20, n. 57, fev. 2005, pp. 27-38.

KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Tradução do original alemão: Wilma Patrícia Maas, Carlos Almeida Pereira. Rio de Janeiro: Contraponto, Ed. PUC-Rio, 2006.

KOSELLECK, Reinhart. Los estratos del tiempo: estúdios sobre la historia. Barcelona: Ediciones Paidés, 2001.

LOZANO, Jorge. “La historia como narración”. In: El discurso historico. Madrid: Alianza Editorial, 1987, pp. 113-171.

MALERBA, Jurandir. “EM BUSCA DE UM CONCEITO DE HISTORIOGRAFIA – Elementos para uma discussão”. In: VARIA HISTÓRIA, Belo Horizonte (MG), nº 27, julho de 2002, pp. 27-47.

MALERBA, Jurandir. “Teoria e história da historiografia”. In: MALERBA, Jurandir (Org.). A história escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006. pp. 11-26.

MARQUESE, Rafael de Bivar. “As desventuras de um conceito: capitalismo histórico e a historiografia sobre a escravidão brasileira”. In: Revista de História, São Paulo, n. 169, pp. 223-253, jul/dez. 2013.

MASTROGREGORI, Massimo. “Historiografia e tradição das lembranças”. In: MALERBA, Jurandir (Org.). A história escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006.

MAUAD, Ana Maria. CAVALCANTE, Paulo. História e Documento. (v. 1) Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2013.

NICOLAZZI, Fernando. “História da historiografia e temporalidades: notas sobre tradição e inovação na história intelectual”. In: Almanack. Guarulhos, n.07, p.27-32, 1º semestre de 2014.

NOIRIEL, Gerard. “La crise des paradigmes”. In: Sur la “crise” de l´histoire. Paris: Éditions: Belin, 1996, pp. 123-171.

PALERMO, Luis Claudio. “A aceleração do tempo e processo histórico em Reinhart Koselleck e Timothy Brook”. In: Transversos: Revista de História. Rio de Janeiro, n. 09, abr. 2017b, pp. 300-325.

PALERMO, Luis Claudio. “Tempo e temporalidades: transformações semânticas modernas e alguns desdobramentos na produção do conhecimento histórico”. In: Temporalidades – Revista de História, ISSN 1984-6150, Edição 23, V. 9, N. 1 (jan./abril 2017a).

PALTI, Elías J. “‘Giro linguístico’ e historia intelectual”. In: Giro linguístico e historia intelectual. Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2012.

PALTI, Elías J. “La nueva historia intelectual y sus repercusiones em América Latina”. In: História Unisinos, 11(3):297-305, Setembro/Dezembro 2007.

RANGEL, Marcelo de Mello; ARAÚJO, Valdei Lopes de. “Apresentação - Teoria e história da historiografia: do giro linguístico ao giro ético-político”. In: hist. historiogr., Ouro Preto, n. 17, abril, 2015, p. 318-332.

RODRIGUES, Henrique Estrada. “Lévi-Strauss, Braudel e o tempo dos historiadores”. In: Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 29, n. 57, 2009, pp. 165-186.

SILVA, Ricardo. “História intelectual e teoria política”. In: Rev. Sociol. Polít., Curitiba, v. 17, n. 34, p. 301-318, out. 2009.

TOMICH, Dale. “A Ordem do Tempo Histórico: a Longue Durée e a Micro-História”. In: Almanack. Guarulhos, n.02, p.38-51, 2º semestre de 2011.

VAINFAS, Ronaldo. “Colonização, Miscigenação e questão racial: notas sobre equívocos e tabus da historiografia brasileira”. In: Revista Tempo, Niterói, v. 8, p. 7-22, 1999.

VAINFAS, Ronaldo. “História das mentalidades e história cultural”. In: CARDOSO, Ciro Flamarion & VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da História. Rio de Janeiro: Editora Campus (Elsevier), 1997. pp. 127-162.

WEHLING, Arno. “Historiografia e epistemologia histórica”. In: MALERBA, Jurandir (Org.). A história escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006.

Downloads

Publicado

30-07-2021

Como Citar

Palermo, L. C. (2021). Um diálogo produtivo entre a nova história intelectual e os estudos historiográficos. Rth |, 24(1), 194–212. https://doi.org/10.5216/rth.v24i1.55714

Edição

Seção

Artigos livres