Call for Papers 2-2022 • Atualismo e teorias contemporâneas do tempo histórico | Updatism and contemporary theories of historical time

26-08-2021

“O que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta eu o sei. Mas, se me perguntam, e quero explicar, não sei mais nada”. Dificilmente, alguma reflexão sobre o fenômeno do tempo consegue escapar à aporia colocada por Santo Agostinho em suas Confissões. Assim, a proposta do dossiê temático Atualismo e teorias contemporâneas do tempo histórico é reunir trabalhos que pretendam, de algum modo, atualizar, do ponto de vista de Teoria e Filosofia da História, o questionamento fundamental apresentado pelo bispo de Hipona. Sem dúvida, em tempos de crise como o que vivemos em função da pandemia de COVID-19 e suas implicações ético-políticas é tarefa urgente perguntarmos sobre o sentido existencial da relação entre passado, presente e futuro e sobre suas implicações para a historiografia.

Nas últimas décadas, pelo menos desde a teoria dos tempos históricos de Koselleck, o debate sobre o problema da temporalidade tem ocupado lugar de destaque nas teorizações sobre a história e recebeu importantes contribuições, em diferentes espaços e momentos, de nomes como Agamben, Hartog, Rosa, Gumbrecht, Krenak, Chakrabarty, Simon, Arantes, Turin, Araujo e Pereira. Tendo isso em vista, incentivamos o envio de artigos e outras submissões originais (ensaios, entrevistas e resenhas) que dialoguem, por exemplo, com as seguintes temáticas: atualismo e pandemia; temporalidade e tecnologia; antropoceno e tempos do fim; políticas do tempo; regime de historicidade e presentismo; presente amplo e teorias da presença; crise e tempo histórico; cronos e kairós; aceleração e dessincronização social do tempo; historicidade e temporalidade; tempo histórico, utopia e distopia; experiência do tempo e crise democrática; temporalidade e razão neoliberal; heterocronias; anacronismo e outras abordagens.

Também interessa a este dossiê abordagens que problematizam os limites de algumas categorizações do tempo histórico, que acabam por retomar uma característica que por bastante tempo definiu o trabalho do historiador, isto é, aquela de enunciar uma dada “ordem do tempo”. Além disso, também são bem-vindas abordagens que proponham exercícios imaginativos de reinvenção de nossa relação com o tempo a partir de experiências historicamente obscurecidas, a partir da reativação de algumas historicidades, em diálogo, por exemplo, com o paradigma decolonial.

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“What is time then? If nobody asks me, I know; but if I were desirous to explain it to one that should ask me, plainly I do not know.” Hardly any reflection on the phenomenon of time manages to escape the aporia pointed out by St. Augustine in his Confessions. Thus, the proposal of the thematic dossier Updatism and contemporary theories of historical time is to gather works that intend, in some way, to update, from the perspective of Theory and Philosophy of History, the fundamental questioning presented by the bishop of Hippo. Undoubtedly, in times of crisis such as the one we are experiencing due to the COVID-19 pandemic and its ethical-political implications, it is an urgent task to ask about the existential meaning of the relationship between past, present and future and its implications for historiography.

In recent decades, at least since Koselleck's theory of historical times, debates on the problem of temporality has occupied a prominent place in theorizations about history and received important contributions, in different spaces and moments, from names such as Agamben, Hartog, Rosa, Gumbrecht, Krenak, Chakrabarty, Simon, Arantes, Turin, Araujo and Pereira. With this in mind, we encourage the submission of articles and other original submissions (essays, interviews and reviews) that dialogue, for example, with the following themes: updatism and pandemic; temporality and technology; anthropocene and end times; politics of time; Regimes of Historicity and presentism; broad present and presence theories; crisis and historical time; chronos and kairos; acceleration and social desynchronization of time; historicity and temporality; historical time, utopia and dystopia; experience of time and democratic crisis; temporality and neoliberal reason; heterochronies; anachronism and other approaches.

The dossier is also interested in approaches that problematize the limits of some categorizations of historical time, which end up resuming a characteristic that for a long time defined the historian's work, that is, that of stating a given “order of time”. In addition, approaches that propose imaginative exercises to reinvent our relationship with time from historically obscured experiences, from the reactivation of some historicities, in dialogue, for example, with the decolonial paradigm, are also welcome.

Data final para envio | 1 de setembro de 2022                   Publicação em | dezembro de 2022

Submissões via website | https://www.revistas.ufg.br/teoria/about/submissions

Organizadores | Breno Mendes [UFG]  Daniel Pinha [UERJ]  Mauro Franco Neto [UEMG]