A produção da carta na sala de aula: exercitando a cidadania

  • Telma Maria Santos de Faria Mota Cepae/UFG
  • Luzia Rodrigues da Silva Cepae/UFG
  • Ilse Leone Borges C. de Oliveira Cepae/UFG

Resumo

Este trabalho é resultado de uma pesquisa - realizada em uma escola pública de ensino básico - que foi impulsionada pela minha inquietação diante do pouco interesse dos alunos em relação à leitura e à escrita em ambiente escolar. Assim, este estudo teve por objetivo investigar, com base no planejamento e na realização de um trabalho didático-pedagógico, mediado pelos gêneros discursivos, o processo de produção de cartas, analisando os efeitos desse trabalho e desse produto no letramento de alunos do 5º ano do Ensino Fundamental. Trata-se de uma pesquisa-ação, de caráter qualitativo e enfoque enunciativo, realizada no período de fevereiro a junho de 2014, em que cartas produzidas pelos sujeitos, selecionados por sorteio, foram coletadas. Fiz uso da teoria aplicada pela estatística às Ciências Humanas, segundo a qual todos os pesquisados têm chance igual de serem escolhidos (MATTAR, 2001). As cartas foram coletadas em situações não simuladas, escritas para um auditório real, a partir da elaboração de sequências didáticas, conforme os pressupostos de Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004). As cartas foram analisadas levando em consideração a intertextualidade, a argumentação, a polifonia, entre outros. Como suporte teórico, apoiei-me, principalmente, nos estudos de Bakhtin (1995 e 2010), que dão conta do caráter dialógico-interacional, polifônico da linguagem e do gênero discursivo como modos de ação social. Fiz uso ainda da concepção de letramento apresentada por Street (2014), que considera o aspecto social da escrita. Meus apontamentos sobre gênero discursivo também foram sustentados por Bazerman (2006), com ênfase na carta, por seu caráter interativo, argumentativo e persuasivo. Com as análises, pude constatar que os alunos, protagonizando eventos de letramento, de exploração e produção do gênero discursivo, pautado pela ordem da argumentação própria à carta (solicitação, reivindicação, apoio, entre outras), constituem-se efetivamente críticos, com mais possibilidades argumentativas, podendo exercer a cidadania por meio da escrita.

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Biografia do Autor

Telma Maria Santos de Faria Mota, Cepae/UFG
Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação da Universidade Federal de Goiás.
Luzia Rodrigues da Silva, Cepae/UFG
Professora do Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação da Universidade Federal de Goiás.
Ilse Leone Borges C. de Oliveira, Cepae/UFG
Professora do Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação da Universidade Federal de Goiás.
Publicado
21-10-2015
Como Citar
Mota, T. M. S. de F., Silva, L. R. da, & Oliveira, I. L. B. C. de. (2015). A produção da carta na sala de aula: exercitando a cidadania. Revista Polyphonía, 25(2), 181-199. https://doi.org/10.5216/rp.v25i2.38169