A articulação entre ascendência e conduta como artifício retórico para louvar e vituperar os nobres nas crônicas de Gomes Eanes de Zurara

Autores

  • Jerry Santos Guimarães Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Vitória da Conquista, Bahia, Brasil. E-mail: jerryguima@gmail.com. https://orcid.org/0000-0002-7331-695X

DOI:

https://doi.org/10.5216/sig.v33.65001

Palavras-chave:

Escrita da história – Crônicas. Gomes Eanes de Zurara – Crônicas. Literatura portuguesa – Século XV. Retórica demonstrativa. Sociedade medieval portuguesa – Nobreza.

Resumo

Durante a Idade Média ibérica pensava-se que a superioridade da nobreza sobre a gente miúda residia sobretudo no sangue: os nobres, por terem “sangue elevado”, estariam “naturalmente” constrangidos a buscar a honra, enquanto os plebeus, em decorrência do seu “sangue baixo”, tenderiam aos vícios. Tal era a opinião e o costume do público receptor das crônicas escritas por Gomes Eanes de Zurara no século XV português. Atentando para tal fato e seguindo preceituações retóricas, Zurara articula a boa ascendência com uma conduta virtuosa ou viciosa para, respectivamente, louvar ou vituperar os nobres enquanto personagens de suas narrativas históricas.

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Publicado

21-07-2021

Como Citar

Santos Guimarães, J. (2021). A articulação entre ascendência e conduta como artifício retórico para louvar e vituperar os nobres nas crônicas de Gomes Eanes de Zurara. Signótica, 33. https://doi.org/10.5216/sig.v33.65001

Edição

Seção

Estudos Literários