O centro antigo de Goiânia: configuração e vitalidade nos espaços públicos centrais

Autores

Palavras-chave:

Configuração Espacial, Sintaxe Espacial, Centros, Vitalidade, Espaços Públicos

Resumo

O artigo explora a relação entre configuração espacial e vitalidade no centro antigo de Goiânia. A análise baseia-se na Sintaxe Espacial e aborda o vínculo entre variáveis configuracionais e dinâmicas urbanas associadas à vitalidade nos espaços públicos centrais. O estudo trabalha com a perspectiva recomendada por Holanda (2013), ao considerar centros vivos aqueles nos quais a presença de pessoas é constante, em quantidade e diversidade. Dessa forma, a investigação examina medidas que afetam o fluxo de pessoas, contribuindo para o grau de utilização dos espaços. O artigo assume duas questões de pesquisa: 1) de que forma a configuração urbana afeta a vitalidade no centro antigo de Goiânia?; e 2) quais os mecanismos espaciais que tornam possível a manutenção da vitalidade urbana em centros antigos? Os resultados demonstram que a configuração condiciona o movimento de pessoas e interfere na vitalidade dos espaços públicos, sobretudo nos centros da cidade. Espaços com maior acessibilidade configuracional, mais aberturas (portas) diretas para as ruas e que possuem passeios acessíveis e convidativos tendem a ser mais escolhidos para os deslocamentos e, portanto, apresentam maior fluxo. Os achados apontam ainda que a presença de comércio/serviços e do uso misto é essencial para assegurar a circulação e permanência de pessoas nos espaços públicos de maneira constante.

Biografia do Autor

Valério Medeiros, Universidade de Brasília (UnB), Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Programa de Pós-graduação da Faculdade Arquitetura e Urbanismo, Brasília, DF.

Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2001). Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (2006), com período de estágio na University College London (2006). Realizou pós-doutorado no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa (2012). Atualmente é Pesquisador Colaborador Pleno do PPG/FAU/UnB e Analista Legislativo (Atribuição Arquiteto) da Câmara dos Deputados. Artigos derivados do seu trabalho final de graduação foram premiados no ?Space Syntax Summer Exhibition? (University College London, Londres - Inglaterra) e no ?Prêmio GISBRASIL de Incentivo: da Pesquisa para a Prática? (2ª Mostra do Talento Científico, Curitiba - PR). Sua tese de doutorado (Urbis Brasiliae, 1997) recebeu Menção Honrosa no Prêmio Capes de Teses (2007) e o livro derivado do estudo - Urbis Brasiliae: o Labirinto das Cidades Brasileiras (EdUnB, 2013) - foi finalista do 56o. Prêmio Jabuti (CBL, Categoria Arquitetura e Urbanismo). Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Desenho e Planejamento Urbano, atuando principalmente nos seguintes temas: configuração e morfologia urbana, sintaxe espacial, sistemas de informação geográfica, mobilidade e história urbana. Além disso, investiga a estrutura espacial de edifícios complexos (Parlamentos).

Juliana Arrais, Instituto Federal de Goiás, Uruaçu, Goiás, Brasil

Professora do Instituto Federal de Goiás. Mestra em Planejamento Urbano pela FAU UNB. Especialista em Reconversão de Edifícios e Requalificação Urbana pela Belas Artes de São Paulo. Atuou como professora de ensino superior da Universidade Federal de Goiás e Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

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Publicado

31-01-2021

Como Citar

Medeiros, V., & Arrais, J. (2021). O centro antigo de Goiânia: configuração e vitalidade nos espaços públicos centrais. Revista Jatobá, 3. Recuperado de https://www.revistas.ufg.br/revjat/article/view/67143

Edição

Seção

Artigos livres