ORDEM, DESORDEM E A CRIATIVIDADE JUDICIAL: RELAÇÕES ENTRE TEORIA DO DIREITO E FILOSOFIA PROCESSUAL

  • Leonardo Monteiro Crespo de Almeida Universidade Federal de Pernambuco
Palavras-chave: Ordem, Criatividade, Decisão Judicial, Deleuze, MacLean

Resumo

Resumo: O objetivo do presente artigo almeja conceber uma noção de criatividade judicial mais ampla, não estando restrita nem aos atos nem às prerrogativas de atores jurídicos particulares. Para tanto, o artigo adota a filosofia processual como marco teórico e conceitual com o intuito de interrogar a maneira pela qual a criatividade é concebida a partir de uma concepção de realidade jurídica que privilegia a ordem, a estabilidade e a previsibilidade frente ao vir-a-ser, à mudança e à desordem. A pesquisa adota como fio condutor a inserção da criatividade na dinâmica de reorganização contínua da ordem jurídica com o intuito de dissociá-la da produção normativa restrita a determinados órgãos e atores jurídicos: categorias e teorias jurídicas não apenas expressam a criatividade judicial, como trazem consigo o potencial para a transformação e redefinição dessas práticas. A hipótese adotada consiste em apontar como uma concepção mais ampla de criatividade possibilita repensar a maneira pela qual a ordem jurídica é constantemente transformada por novas questões suscitadas no campo social.

Abstract: This present article intends to conceive a broad notion of legal creativity, one which is not restricted to the acts nor the functional powers of specific legal actors. The article adopts processual philosophy as its theoretical and conceptual framework to expose how the usual conception of legal creativity is entrenched in an ontological conception of reality that privileges stability, order and security over change, disorder and becoming. This research, however, inscribers creativity within the dynamic of continuous reorganization of the legal order so creativity could be dissociated with the idea of normative production narrowly associated with legal actors: legal theories and categories not only expresses a kind of legal creativity, they also have the potential to transform and redefine common accepted practices within the legal context. The chief hypothesis of this article is that a broader conception of creativity would be relevant to rethink how legal order as constantly transformed by new concerns that emerges within the social field.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Leonardo Monteiro Crespo de Almeida, Universidade Federal de Pernambuco
Doutor em Direito pela Faculdade de Direito do Recife/UFPE; Mestre em Direito pela Faculdade de Direito do Recife/UFPE; Bacharel em Direito pelas Faculdades Integradas Barros Melo; Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco/UFPE.

Referências

ALEXY, Robert. Principios Formales. Doxa, v. 37, 2014, pp. 15-29.

COLEBROOK, Claire. Legal Theory After Deleuze. In: BRAIDOTTI, Rosi; COLEBROOK, Claire; HANAFIN, Patrick. Deleuze and Law: Forensic Futures. New York: Palgrave Macmillan, 2009, pp. 6-23.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O Que é a Filosofia?. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

DELEUZE, Gilles. Bergsonismo. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.

DELEUZE, Gilles. Foucault. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1988

HART, H. L A. Discrecionalidad. Doxa, v. 37, 2014, pp. 85-98.

HELIN, Jenny; HERNES, Tor et. al. Process is How Process Does. HELIN, Jenny; HERNES, Tor; Hjorth, Daniel; HOLT, Robin (orgs). The Oxford Handbook of Process Philosophy and Organization Studies. Oxford: Oxford University Press, 2016, pp. 1-17.

LARIGUET, Guillermo. Autonomía y unidad en el conocimiento jurídico. Doxa, v. 25, 2002, pp. 573-595.

LEFEBVRE, Alexandre. The Image of Law: Deleuze, Bergson, Spinoza. Stanford: Stanford University Press, 2008.

LUHMANN, Niklas. Law as a social system. Oxford: Oxford University Press, 2004.

MACCORMICK, Neil. Particulars and Universals. In: BANKOWSKI, Zenon; MACLEAN, James (orgs). The Universal and the Particular in Legal Reasoning. Aldershot: Ashgate, 2006.

MACLEAN, James. Rethinking Law as Process: Creativity, Novelty, Change. London: Routledge, 2012a.

MACLEAN, James. Rhizomatics, the Becoming of Law, and Legal Institutions. In: SUTTER, Laurent de; MCGEE, Kyle. Deleuze and Law. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2012b, pp. 151-168.

MOORE, Nathan. The Perception of The Middle. In: SUTTER, Laurent de; MCGEE, Kyle. Deleuze and Law. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2012, pp. 132-150.

OST, François. ¿Para qué sirve el derecho?... Para contar hasta tres. Doxa, v. 40, 2017, pp. 15-48.

PATTON, Paul. Deleuze and the Political. London: Routledge, 2000.

PATTON, Paul. Deleuzian Concepts: Philosophy, Colonization. Stanford: Stanford University Press, 2010.

PHILIPPOPOULOS-MIHALOPOULOS, Andreas. Critical Autopoiesis: The Environment of the Law. In: VRIES, Bald de; FRANCOT, Lyana (orgs). Law´s Environment: Critical Legal Perspectives. The Hague, Netherlands, 2011. U. of Westminster School of Law Research Paper No. 11-17. Disponível em: https://ssrn.com/abstract=1968385. Acesso em 30.nov.2018.

SCHUILENBURG, Marc. Institutions and Interactions: On the Problem of the Molecular and Molar. In: SUTTER, Laurent de; MCGEE, Kyle. Deleuze and Law. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2012, pp. 111-131.

TEUBNER, Gunther. El Derecho como sujeto epistémico: hacia una epistemología constructivista del derecho. Doxa, v. 25, 2002, pp. 533-571.

TSOUKAS, Haridimos. Chaos, Complexity and Organization Theory. Organization, v. 5, n. 3, pp. 291-313, 1998.

WEBB, Thomas E. Exploring System Boundaries. Law and Critique, v. 24, pp. 131-151, 2013.

WHITEHEAD, Alfred North. Modes of Thought. New York, NY: Macmillan, 1938.

WOLFE, Cary. Critical Environments: Postmodern Theory and the Pragmatics of the "Outside". Minneapolis: University of Minnesota Press, 1998.

Publicado
19-01-2019
Como Citar
Almeida, L. (2019). ORDEM, DESORDEM E A CRIATIVIDADE JUDICIAL: RELAÇÕES ENTRE TEORIA DO DIREITO E FILOSOFIA PROCESSUAL. Revista Da Faculdade De Direito Da UFG, 42(3), 130-154. https://doi.org/10.5216/rfd.v42i3.55027
Seção
Artigos Científicos