Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) e a sua presença na história social da educação brasileira.

Autores

  • Carlos Bauer Universidade Nove de Julho
  • Carin Moraes

DOI:

https://doi.org/10.5216/rpp.v13i1.31252

Resumo

O artigo enfoca a trajetória histórica da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), criada a partir da iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST – e de movimentos sociais e militantes políticos. A análise utiliza documentos da ENFF, entrevistas e matérias veiculadas no espaço público e visou identificar as motivações que levaram à criação da ENFF, bem como descrever e considerar os principais aspectos do projeto pedagógico que orienta as práticas existentes, com ênfase no aspecto da proposta de participação de representantes de movimentos sociais de diversos países, o que caracterizaria o internacionalismo do projeto. A ENFF é objeto de estudo em diversos trabalhos acadêmicos, que descrevem o processo que levou à sua criação e o seu funcionamento, havendo, no entanto, pouco esforço voltado à compreensão do caráter internacionalista da ENFF, característica que ganhou grande relevância à medida que o processo para sua implantação desenvolveu-se tendo essa perspectiva como um elemento basilar de sua existência. Estudar a dimensão internacionalista da proposta educacional da ENFF é, sobretudo, legitimar sua importância enquanto um espaço que se constrói para contribuir na formação daqueles que participam da construção de alternativas ao modelo dominante de sociedade e que, atuando em diferentes organizações e países, identificam-se como membros de uma cultura de resistência. Outra característica fundamental que identificamos é a capacidade de reunir os mais diferentes apoios em torno da proposta de uma escola voltada à educação popular. Diversos setores da sociedade têm conflito com os propósitos e métodos do MST, porém apoiam a iniciativa do movimento com relação à educação. É mais fácil aceitar a educação como premissa do que a luta pela terra. Muitos consideram a educação “um direito de todos” e algo essencial para a superação de limitações à vida. Já a terra envolve uma questão crucial para o sistema – a propriedade – e muitos dos que se identificam com a causa da educação não têm o mesmo posicionamento em relação à propriedade da terra. Portanto, a pesquisa pretendeu verificar a construção de um modelo de ação internacionalista como parte da visão política do MST, principal sujeito envolvido na criação da ENFF, o que levou à elaboração de estratégias para tornar possível a participação de militantes políticos de diferentes nacionalidades, integrantes de culturas de tradições díspares, em um conjunto significativo de atividades da escola, que tem como principal desafio possibilitar que diferentes experiências de vida e escolar convivam em um mesmo espaço de construção do conhecimento e a partir daí contribuir para a edificação de uma nova sociedade. 

Palavras-chave – Educação no campo, formação política no Brasil contemporâneo, história social da educação, história imediata, internacionalismo.

 

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Biografia do Autor

Carlos Bauer, Universidade Nove de Julho

Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE, da Universidade Nove de Julho – UNINOVE, São Paulo, Brasil.

Carin Moraes

Professora da Secretaria Municipal de São Paulo (SME) e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), da Universidade Nove de Julho (Uninove).

Publicado

2018-07-26

Como Citar

BAUER, C.; MORAES, C. Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) e a sua presença na história social da educação brasileira. Poíesis Pedagógica, Goiânia, v. 13, n. 1, 2018. DOI: 10.5216/rpp.v13i1.31252. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/poiesis/article/view/31252. Acesso em: 22 maio. 2022.

Edição

Seção

FLUXO CONTÍNUO