DE FOGO MORTO: MUDANÇA SOCIAL E CRISE DOS PADRÕES TRADICIONAIS DE MASCULINIDADE NO NORDESTE DO COMEÇO DO SÉCULO XX

Durval Muniz de Albuquerque Júnior

Resumo


Este texto analisa a crise dos padrões tradicionais de masculinidade no Nordeste, no começo do século XX. Partindo da metáfora sugerida pelo título do romance de José Lins do Rego, Fogo morto o texto procura abordar a relação que está presente no discurso literário do autor entre o declínio da economia açucareira e da sociedade do engenho bangüê e a crise de um certo padrão de masculinidade, de certas formas de ser homem que haviam predominado na chamada sociedade patriarcal. Não era apenas o engenho que estava de fogo morto, mas também toda uma geração de homens que viviam uma profunda crise de identidade ao não poderem mais atualizar em suas vidas o modelo de sujeito masculino representado pelos patriarcas dos engenhos, seus avôs. A emergência progressiva de uma sociedade urbano-industrial e de novos padrões burgueses de sociabilidade, bem como da família nuclear, solapava as identidades desses homens, que viam amedrontados a emergência do que consideravam a feminização da sociedade, a desvirilização dos costumes. Homens perdidos, homens de engenho.

Palavras-chave: Mudança social, crise da masculinidade, Nordeste, discurso literário, José Lins do Rego.


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DOI: https://doi.org/10.5216/hr.v10i1.10103


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