Chamada para submissão de artigos - Dossiê vol. 26, n. 2 (mai./ago. 2021)

20-10-2020

DOSSIÊ: Cultura e barbárie: o mundo em tempos extremos

Coordenadores:

Marco Antônio de Menezes (Universidade Federal de Jataí e PPGH/Universidade Federal de Goás) - pitymenezes.ufg@gmail.com

Petar Bojanic (Instituto de Filosofia e Teoria Social da Universidade de Belgrado - Sérvia) - bojaniccp@gmail.com

Robson Pereira da Silva (Rede de Pesquisa em História e Cultura no Mundo Contemporâneo) - robson_madona@hotmail.com

Ementa: 

A presente proposta de dossiê busca reunir trabalhos de abordagens teórico-metodológicas históricas, historiográficas e/ou epistemológicas que tomam por objetos os tempos, os espaços, as memórias e as experiências culturais em sua posição testemunhal da barbárie, sobretudo por seu movimento temporal, "como relação espiritual viva do presente ao passado, do passado ao presente"(GAGNEBIN, 2008). Quando usamos o binômio cultura & barbárie, automaticamente, remetemo-nos aos textos do filósofo frankfurtiano Walter Benjamin, sobretudo As teses sobre o conceito de História. Benjamin,  a partir dessa concepção dialética da cultura, atenta-se a não considerar as obras do passado como substâncias imutáveis, mas como reservas de sentidos, muitas vezes, encobertas e esquecidas, mas carregadas de possibilidades de resistência e transformação e que cabe ao presente reencontrá-las a contrapelo. Assim, a cultura não é uma relação de posse e de acumulação (restrição à condição de bens culturais), mas uma relação viva ancorada numa certa ética da transmissão. Cabe então ao historiador materialista de Benjamin descobrir a imagem engessada da tradição e da cultura e procurar nas interferências do tempo, do passado e do presente, os signos de outra história possível. Nesses termos, a cultura é viva e plural e, por conseguinte, sua oposição é a barbárie, especialmente em sua dimensão negativa e destrutiva , suprimindo sujeitos e processos históricos no campo político da cultura. Na contemporaneidade, entendemos que estamos vivenciando processos que têm assolado, elidido sujeitos e produzido negacionismos das tradições, especialmente almejando o desmanche do patrimônio cultural. Atualmente, em várias partes do globo, governos antipopulares e reacionários, encobertos pela emergência da pandemia provocada pela Covid-19, realizam o desmonte dos bens públicos que garantem uma transmissão ética da cultura nos moldes definidos por Benjamin. Diante desse escopo mais amplo, perspectivas interdisciplinares que dialogam com essas abordagens, sobretudo pensando a contemporaneidade carregada de tempos extremados, também são bem-vindas como textos para comporem o dossiê.

Submissão de artigos: 01/01/2021 a 15/04/2021