Chamada para Dossiê "Ritxoko é ouro!”

13-08-2021

Neste número a Revista Hawò pretende publicar os resultados alcançados até agora pelo Projeto Presença Karajá: cultura material, tramas e trânsitos coloniais, fazendo uma espécie de balanço dos quatros anos de sua primeira etapa. No intervalo desse tempo, o projeto mapeou as coleções de ritxoko, conhecidas como ‘bonecas Karajá’, em setenta e sete museus brasileiros e estrangeiros, ao mesmo tempo em que buscou reconstituir a trajetória de formação dessas coleções, as redes de relações constituídas entre pesquisadores, instituições e os grupos indígenas Karajá, seus produtores, além de realizar estudos deste artefato – originalmente um brinquedo de crianças –, tendo o foco nos adornos corporais e indumentárias usados para ‘vestir’ essas bonecas. Por se tratar de um projeto interdisciplinar que engloba os campos da Antropologia, Museologia, Arqueologia, dentre outros, temos interesse em receber artigos e resultados de pesquisas, realizadas em diferentes partes do mundo, em que as interfaces desses campos sejam colocadas em discussão. Serão especialmente bem-vindos os trabalhos que, na perspectiva acima apontada, estejam comprometidos com as culturas indígenas e a compreensão de sua inserção na contemporaneidade, especialmente nos circuitos museológicos e patrimoniais.

Com esta publicação, pretendemos fomentar e ampliar o debate sobre as formas e os impactos que o retorno ou o compartilhamento de acervos etnográficos com os povos indígenas trazem para os diferentes atores envolvidos nos processos de seleção, aquisição, documentação, conservação e extroversão das coleções salvaguardadas em museus. O título “Ritxoko é ouro!” retoma uma frase de Mahuederu, ceramista-mestra, mobilizando, em sua fala, os valores simbólicos e econômicos ligados à sua produção. Para este dossiê nos interessamos também por reflexões em torno destas questões, que envolvem outras circulações das ritxoko, não somente ligadas às instituições de preservação, mas também ao comércio e ao turismo. Por último, mas não menos importante, pretendemos, nas confluências dessas pesquisas, contribuir para a reflexão do potencial pedagógico que os estudos dessas coleções trazem para o campo da educação museal e para a formação de professores em todos os níveis de ensino, do básico ao superior. Quiçá professores indígenas possam apresentar seus textos!