Histórico

Ciente da necessidade de dar continuidade aos processos de divulgação e compartilhamento dos resultados das pesquisas científicas produzidas por pesquisadores das áreas relacionadas à expertise do Museu, sob a direção do prof. Manuel Ferreira Lima Filho – gestão 2018-2021 foi proposta e aprovado pelo Conselho Diretor do MA, a criação de uma nova revista científica em substituição à Revista do Museu Antropológico, cuja publicação está interrompida desde o ano de 2005 . Essa nova publicação científica, denominada de Revista Hawò, está vinculada à direção do Museu Antropológico e tem acesso online e aberto. Pretende-se que seja reconhecida como um periódico científico de qualidade, que tenha credibilidade e que pesquisadores possam procurá-la e indicá-la como um veículo importante para a publicação dos resultados dos estudos e pesquisas realizadas em suas áreas de atuação. O título da Revista Hawò na língua Iny-Karajá significa canoa. São dois os movimentos que justificam esse nome com relação a uma publicação acadêmica do Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás. O primeiro movimento se refere à própria história institucional do Museu Antropológico. Fundado em junho de 1969, o museu teve como seu primeiro diretor Acary de Passos Oliveira que trabalhou na Expedição Roncador Xingu em 1943 e foi responsável pela feitura da pista de avião na aldeia Santa Isabel do Morro, na ilha do Bananal, hoje estado do Tocantins, para receber a comitiva do presidente Getúlio Vargas. A partir daí, o sertanista Acary passa a ter forte e longa história de relacionamento com os Karajá, responsáveis pela fabricação de grande parte do acervo etnográfico do Museu Antropológico da UFG. Entre esses artefatos se destaca uma canoa, feita de uma madeira de uma peça única de autoria de Wataú Karajá, liderança de prestígio entre o grupo, adquirida em 28/04/1970. A canoa hoje se encontra numa posição de destaque na exposição Lavras e Louvores ora em curso.
O segundo movimento diz respeito ao teor epistemológico da canoa enquanto materialidade que expressa o saber fazer de um sujeito cultural representante de uma etnia que tem forte ligação com a construção da região Centro-Oeste e da nação brasileira. Dessa maneira, a canoa Karajá se configura um símbolo da própria história institucional do Museu e reflete as discussões teóricas contemporâneas sobre o lugar da cultura material na Antropologia e áreas correlatas.