Análise de mitos africanos em uma comunidade quilombola: comunicação, informação e religiosidade

Autores

  • Cleyciane Cássia Moreira Pereira Universidade Federal da Bahia
  • Maria Giovanna Guedes Farias Universidade Federal do Ceará

DOI:

https://doi.org/10.5216/ci.v19i2.36800

Palavras-chave:

Mitos africanos. Comunidade quilombola. Teoria do Imaginário.

Resumo

Apresenta resultados de pesquisa realizada na Comunidade Quilombola Alcantarense de Itamatatiua, localizada no Maranhão. Objetivou identificar e verificar como ocorre a preservação e a compreensão dos mitos africanos presentes nesta comunidade - a exemplo de Oxum, Iemanjá, Nana e Exu -, bem como a possibilidade de contribuição para a continuidade de estudos que retratem a história e memória negra. Esses mitos constituem-se como informações fundamentais das tradições dos moradores de Itamatatiua, os quais se preocupam em preservar os segredos, a religiosidade e as histórias vivenciadas por eles e pelos antepassados, repassando-as para os mais novos e para pesquisadores interessados pela oralidade. Para coleta e análise dos dados utilizou-se a mito análise, a partir da Teoria do Imaginário de Gilbert Durand, concomitante com a metodologia qualitativa de abordagem etnográfica. Os resultados demonstram que analisar as narrativas míticas em linhas diacrônicas e sincrônicas, contribui para o desvendamento de riquezas e tradições adormecidas em um passado de opressão e repressão, o qual pode ser reconstruído e devolvido às populações desconhecedoras de sua própria ancestralidade. Conclui-se que essas informações mitológicas, repassadas pela oralidade, podem, inclusive, devolver a autoestima dessa população.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cleyciane Cássia Moreira Pereira, Universidade Federal da Bahia

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia. Mestre em Ciência da Informação pela UFPB.

Maria Giovanna Guedes Farias, Universidade Federal do Ceará

Doutora em Ciência da Informação pela UFBA. Professora do Departamento de Ciências da Informação da Universidade Federal do Ceará.

Referências

BORDENAVE, J. D. O que é comunicação. São Paulo: Brasiliense, 1982.

BRASIL. Ministério da Cultura. Instituto do Patrimônio, Histórico e Artístico Nacional. Inventário Nacional de bens móveis e integrados Maranhão e Piauí: Capela de Sta. Tereza D’Ávila, Itamatatiua, Alcântara. São Luís: MinC/ IPHAN, 1999. v. 12.

DURAND, G. As estruturas antropológicas do imaginário: introdução à arquetipologia geral. Tradução Hélder Godinho. São Paulo: Martins Fontes, 1997. Tradução de: Les structures anthropologiques de l'imaginaire.

_________. O imaginário: ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem. Tradução René Eve Levié. Rio de Janeiro: DIFEL, 1998. Tradução de: L’imaginaire.

ELIADE, M. Tratado de história das religiões. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

Exu. In: CANDOMBLÉ e orixás. Disponível em:

<http://dofonodelogum.sites.uol.com.br/exu.html>. Acesso em 20. jan. 2011a.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1987

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

LOZANO, J. E. A. Prática e estilos de pesquisa na história oral contemporânea. In: AMADO, Janaina; FERREIRA, Marieta de Moraes (Coords.). Usos & Abusos da história oral. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1996.

LOWENTHAL, D. The past is a foreign country. Cambridge: University Press, 1989.

MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. Tradução de Décio Pignatari. 4º ed. São Paulo: Cultrix, 1974.

OXUM. In: DICIONÁRIO Wikipédia. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Oxum>. Acesso em: 20 ago. 2010.

PITTA, D. P. R. A dinâmica dos quatro elementos no candomblé. In: COLÓQUIO GASTON BACHELARD: CIÊNCIA E ARTE, 2. Canela, BA: [s. n.], 2008. Trabalho cedido pela autora.

PRANDI, R. Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

________. Segredos guardados: orixás na alma brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

SANTA Teresa d’Ávila de Jesus. Disponível em:<http://www.cancaonova.com/portal/canais/santodia/?mes=10&dia=15>. Acesso em: 22. ago. 2010.

SANTOS, G.; REIS, M.; OOSTERBEEK, L. Quilombos e globalização: um estudo arqueológico sobre identidades e mecanismo de adaptação. Disponível em:< http://projetoportoseguro-maranhao.blogspot.com/2010/02/quilombos-e-globalizacao-um-estudo_28.html>. Acesso em 20 jul. 2010.

SILVA, V. G. da. Candomblé e umbanda: caminhos da devoção brasileira. 3. ed. São Paulo Selo Negro, 2005.

TEIXEIRA, M. C. S. O Concreto e o simbólico no cotidiano escolar: as abordagens de Michel Mafesolli e José Carlos de Paula Carvalho. Educação e sociedade, n. 38, abr., 1991, p. 91-99.

VALENTE, A. L. E. F. O Negro e a Igreja Católica. Campo Grande, MS: CECITEC/UFMS, 1994.

VANSINA, J. A tradição oral e sua metodologia. In: KI-ZERBO, Joseph (Org.). História geral da África, v.1, Metodologia e pré-história na África. São Paulo: Ática; [Paris]: Unesco, 1982.

VERGER, P. Iniciação. In: CARYBE. Iconografia dos deuses africanos no Candomblé da Bahia. Salvador: Raízes, 1980.

Downloads

Publicado

31-12-2016

Como Citar

PEREIRA, C. C. M.; FARIAS, M. G. G. Análise de mitos africanos em uma comunidade quilombola: comunicação, informação e religiosidade. Comunicação &amp; Informação, Goiânia, Goiás, v. 19, n. 2, 2016. DOI: 10.5216/ci.v19i2.36800. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/ci/article/view/36800. Acesso em: 5 dez. 2021.

Edição

Seção

Artigos