Antropologia comprometida, Antropologias de Orientação Pública e descolonialidade. Desafios etnográficos e descolonização das metodologias .

Autores

  • Juan Carlos Gimeno Martín Universidad Autónoma de Madrid
  • Angeles Castaño Madroñal Universidad de Sevilla, Sevilla

DOI:

https://doi.org/10.5216/o.v16i2.37084

Palavras-chave:

Antropologia comprometida, antropologia de orientação pública, descolonialidade, conhecimento antropológico.

Resumo

RESUMO: As Antropologias comprometidas têm vindo a tecer uma série de tendências e de novas perspetivas teórico-metodológicas que contribuem para um debate aberto sobre o papel da antropologia perante os movimentos sociais e a defesa da diversidade cultural na globalização. Entre estas tendências, a antropologia de orientação pública, entendida como uma pluralidade, articula-se quer a partir do compromisso dos movimentos sociais nas lutas políticas contemporâneas perante as tendências etnocidas da globalização, quer a partir de uma linha descolonial que coloca a necessidade ineludível de descolonizar as metodologias etnográficas e a produção antropológica, assim como o compromisso de transferir e partilhar com os sujeitos que constroem o conhecimento antropológico. Neste artigo, mostramos as principais tendências do debate entre os diferentes autores, e as propostas para superar as tensões e cismas entre estas tendências comprometidas, para a construção de uma Antropologia com maiúscula e descolonizada, a partir do diálogo da diversidade de antropologias do mundo, que, de forma sempre situada, produzem conhecimento face ao autismo do elitismo científico, que tende a esterilizar este campo do conhecimento.

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Biografia do Autor

Juan Carlos Gimeno Martín, Universidad Autónoma de Madrid

Juan Carlos Gimeno Martín é doutorado em Filosofia pela Universidade Autónoma de Madrid (UAM) e Professor Titular de Antropologia na UAM. Atualmente ocupa o cargo de diretor do Departamento de Antropologia Social e Pensamento Filosófico Espanhol (UAM). Realizou trabalho de campo em Espanha, México, Guatemala, Nicarágua, Cuba e no Sahara Ocidental. Entre os seus livros destacam-se: La controversia del desarrollo ( em coedição , La Catarata, 1999), Neoliberalismo, ONGs y pueblos indígenas en América Latina (em coedição, SEPHA, 2005), Conocimiento. Desarrollo y transformaciones sociales (en coedición, SEPHA, 2007), Transformaciones socioculturales de un proyecto revolucionario: la lucha del pueblo Saharaui por la liberación (Colección Monografías, Nº 43. Disponible en: http://www.globalcult.org.ve/monografias.htm), e Conocimientos del mundo. Diversidad epistémica en América Latina (em coedição, La Catarata, 2010). Entre os artigos recentes sobressaem: "Poniendo la antropología en valor" ( Revista Nuevas Tendencias en Antropología, 2011) e "Reflexiones críticas desde los márgenes sobre la producción de conocimientos para una acción transformadora" (CUHSO, 2012). Atualmente é Investigador principal do projeto I+D+i (2013-2015): Consolidación y declive del orden colonial español en el Sahara Occidental (Ifni-Tarfalla-Sahara: 1956-1976). Como resultado destes projetos, em colaboração com Francesco Correale, Juan Carlos Gimeno edito recentemente a monografia bilingue, francês/castelhano: Sahara Occidental: mémoires, culture, histories, em Les Cahiers de l`Emam. Études sur le Monde Arabe et sur le Méditerranée .Nº 24,25, 2015.

Angeles Castaño Madroñal, Universidad de Sevilla, Sevilla

Ángeles Castaño Madroñal recebeu o seu doutoramento em Antropologia Social, pela Universidade de Sevilha (US), em 2003. É atualmente professora no Departamento de Antropologia Social dessa mesma universidade. Ángeles Castaño Madroñal tem realizado estudos sobre a imigração na Andaluzia, sobre processos de exclusão social, adaptação cultural e racismo, sobre as relações interétnicas em contextos de fronteira, sobre os processos de identidade e do património cultural, sobre a zona de fronteira entre Espanha e Portugal (raia) e, finalmente, sobre interculturalidade e o património cultural da Andaluzia. Os seus estudos centram-se especialmente nas narrativas, imaginários, discursos e práticas, nos discursos de poder e na colonialidade das políticas. De entre os seus projetos de pesquisa em que participou mais recente destacam-se a Gestão Internacional da Migração entre a Turquia, Itália e Espanha (MIUM_TIE), financiado pelo programa de ações externas da União Europeia que visou a promoção do diálogo entre as sociedades civis da UE e da Turquia (2008-2009), projeto coordenado pela Universidade de Koç (Istambul), e dirigido por Ahmet Içduigü; a Semântica de tolerância e o (anti-) Racismo na Europa: entidades públicas e a sociedade civil numa perspetiva comparada (TOLERACE), financiado pelo 7º Programa Quadro da UE 2010/2013, coordenado pelo CES (Universidade de Coimbra), e dirigida por Boaventura de Sousa Santos; Património cultural e interculturalidade - Novos sentidos nos processos de patrimonialização na Andaluzia, financiado em 2014 pelo programa PatrimoniUN-10 do CIE-Campus de Excelência Internacional em Património da Universidade de Jaen. Ángeles Castaño Madroñal é membro (2014-2016) da Cátedra UFGD UNESCO (Universidade Federal Grande Dourados, Brasil) em Diversidade Cultural, Gênero e Fronteiras, dirigido pelo Prof. Losandro Antonio Tedeschi. Integra igualmente o Grupo de Pesquisa para o Estudo das Identidades socioculturais na Andaluzia (GEISA), sendo desde 1991, parte do Plano de Investigação da Andaluzia (SEJ-149). É coordenadora do Grupo de Estudo para o Desenvolvimento de Universidade de Sevilha - ICoDeS Medi-África - desde 2014. Até recentemente (2008-2015) foi uma das patronas da Fundação CEPAIM. De referir igualmente que desde 2005 é assessora científica da Fundação Sevilla Acoje.

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Publicado

04-11-2016

Como Citar

Gimeno Martín, J. C., & Castaño Madroñal, A. (2016). Antropologia comprometida, Antropologias de Orientação Pública e descolonialidade. Desafios etnográficos e descolonização das metodologias . OPSIS, 16(2), 262–279. https://doi.org/10.5216/o.v16i2.37084

Edição

Seção

Dossiê Descolonizar as Ciências Humanas: campos de pesquisas, desafios analíticos e resistências Parte 2