As políticas patrimoniais da UNESCO na geopolítica de colonialidades globais e a emergência de novos sentidos de interculturalidade do património na Andaluzia

Autores

  • Angeles Castaño Madroñal Universidade de Sevilla, Sevilla
  • Elodia Hernández León Universidade Pablo de Olavide

DOI:

https://doi.org/10.5216/o.v16i1.37021

Palavras-chave:

politicas patrimoniais, UNESCO, colonialidades globais, interculturalidade, Andaluzia.

Resumo

Este trabalho tem por objetivo analisar as políticas internacionais do património histórico-cultural desde a perspetiva da colonialidade do poder/saber. Isso pressupõe ter de analisar a ligação estreita que existe entre os discursos e as representações da diversidade estado-nacional e a identificação e a gestão dos patrimónios globais e locais. A emergência dos patrimónios imateriais em contextos locais e a elaboração da lista do património imaterial da humanidade leva-nos a repensar o debate materialidade vs. imaterialidade, dominante nas representações do Ocidente e do Oriente, como manifestação da redefinição dos centros e das periferias geopolíticas, em termos de eurocentrismo e asiocentrismo. Consequentemente perguntámo-nos se efetivamente nos encontramos ante uma mudança das tendências tradicionais das políticas do património ou ante uma luta de colonialidades opostas. Contrariamente às dinâmicas institucionais os discursos da interculturalidade do património cultural elaborados por movimentos sociais locais provam a emergência de novas construções baseadas na experiência da diversidade cultural e da multiculturalidade, desde o reconhecimento do valor simbólico e identitário para a memória dos patrimónios históricos degradados pela modernidade colonial da Andaluzia.

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Biografia do Autor

Angeles Castaño Madroñal, Universidade de Sevilla, Sevilla

Ángeles Castaño Madroñal recebeu o seu doutoramento em Antropologia Social, pela Universidade de Sevilha (US), em 2003. É atualmente professora no Departamento de Antropologia Social dessa mesma universidade. Ángeles Castaño Madroñal tem realizado estudos sobre a imigração na Andaluzia, sobre processos de exclusão social, adaptação cultural e racismo, sobre as relações interétnicas em contextos de fronteira, sobre os processos de identidade e do património cultural, sobre a zona de fronteira entre Espanha e Portugal (raia) e, finalmente, sobre interculturalidade e o património cultural da Andaluzia. Os seus estudos centram-se especialmente nas narrativas, imaginários, discursos e práticas, nos discursos de poder e na colonialidade das políticas. De entre os seus projetos de pesquisa em que participou mais recente destacam-se a Gestão Internacional da Migração entre a Turquia, Itália e Espanha (MIUM_TIE), financiado pelo programa de ações externas da União Europeia que visou a promoção do diálogo entre as sociedades civis da UE e da Turquia (2008-2009), projeto coordenado pela Universidade de Koç (Istambul), e dirigido por Ahmet Içduigü; a Semântica de tolerância e o (anti-) Racismo na Europa: entidades públicas e a sociedade civil numa perspetiva comparada (TOLERACE), financiado pelo 7º Programa Quadro da UE 2010/2013, coordenado pelo CES (Universidade de Coimbra), e dirigida por Boaventura de Sousa Santos; Património cultural e interculturalidade - Novos sentidos nos processos de patrimonialização na Andaluzia, financiado em 2014 pelo programa PatrimoniUN-10 do CIE-Campus de Excelência Internacional em Património da Universidade de Jaen. Ángeles Castaño Madroñal é membro (2014-2016) da Cátedra UFGD UNESCO (Universidade Federal Grande Dourados, Brasil) em Diversidade Cultural, Gênero e Fronteiras, dirigido pelo Prof. Losandro Antonio Tedeschi. Integra igualmente o Grupo de Pesquisa para o Estudo das Identidades socioculturais na Andaluzia (GEISA), sendo desde 1991, parte do Plano de Investigação da Andaluzia (SEJ-149). É coordenadora do Grupo de Estudo para o Desenvolvimento de Universidade de Sevilha - ICoDeS Medi-África - desde 2014. Até recentemente (2008-2015) foi uma das patronas da Fundação CEPAIM. De referir igualmente que desde 2005 é assessora científica da Fundação Sevilla Acoje.

Elodia Hernández León, Universidade Pablo de Olavide

Elodia Hernandez Leon é professora de Antropologia Social na Universidade Pablo de Olavide. Desde 2012 faz parte da equipe dirigente desta universidade como vice-chanceler de Estudantes, Cultura e Participação Social. Desde o ano 95 tem feito pesquisa em temas como fronteira cultura, identidades, territórios, paisagens e património cultural. Entre 1994 e 2002, tem desenvolvido assistência técnica para o desenvolvimento do "Sistema de Informação do Património Etnológico" para um centro de investigação e intervenção sobre o património de prestígio: o Instituto do Patrimônio Histórico da Andaluzia (Junta de Andalucía). Em 2005 realizou estudos pós-doutorais na Universidade Benemérito de Puebla (México), na qual contínuo aprofundamento do tema do Património Cultural. Atualmente, desenvolve uma nova abordagem para o património e o multiculturalismo. Ele faz parte da equipe do projeto de investigação "Patrimônio Cultural e Interculturalidade. Novos rumos no processo de patrimonial na Andaluzia" em 2014 financiado pelo CEI- campus de excelência em patrimonio da Universidade de Jaen (España)".

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Publicado

23-08-2016

Como Citar

Castaño Madroñal, A., & Hernández León, E. (2016). As políticas patrimoniais da UNESCO na geopolítica de colonialidades globais e a emergência de novos sentidos de interculturalidade do património na Andaluzia. OPSIS, 16(1), 131–152. https://doi.org/10.5216/o.v16i1.37021

Edição

Seção

Dossiê Descolonizar as Ciências Humanas: campos de pesquisas, desafios analíticos e resistências Parte 1