50 anos da ditadura no Brasil: questões feministas e de gênero

Autores

  • Ana Maria Colling Universidade Federal Grande Dourados, Dourados, MS

DOI:

https://doi.org/10.5216/o.v15i2.33836

Palavras-chave:

Ditadura Militar, Feminismo, Mulheres Militantes, Relações de Gênero

Resumo

Se a história política é uma coisa de homens, a história da ditadura militar no Brasil é a radicalização da invisibilidade do feminino. A mulher militante política, engajada em partidos políticos de oposição à ditadura, não era encarada como sujeito histórico, sendo excluída do jogo do poder. Apesar de tantas mulheres, juntamente com os homens, lutarem pela redemocratização do país, elas foram excluídas dos relatos históricos e das documentações sobre o período. A militante política cometia dois pecados aos olhos da repressão: de se insurgir contra a política golpista, fazendo-lhe oposição e de desconsiderar o lugar destinado à mulher, rompendo os padrões estabelecidos para os dois sexos. A repressão caracteriza a militante como “puta comunista”. Ambas são categorias desviantes dos padrões estabelecidos pela sociedade que enclausura a mulher no mundo privado e doméstico. A esquerda também não propiciava o debate sobre as relações de gênero, as questões femininas, porque havia uma contradição maior a ser resolvida: a oposição entre a burguesia e o proletariado. Isto reforçava o poder dos homens nas organizações. As questões feministas eram entendidas como divisionistas da luta principal.

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Publicado

19-12-2015

Como Citar

Colling, A. M. (2015). 50 anos da ditadura no Brasil: questões feministas e de gênero. OPSIS, 15(2), 370–383. https://doi.org/10.5216/o.v15i2.33836

Edição

Seção

Dossiê: Relações de gênero, História, Educação e Epistemologias feministas: O Centro-Oeste em debate