Estudo representacional da participação familiar nas atividades dos Centros de Atenção Psicossocial no município de Natal-RN

Dulcian Medeiros de Azevedo

Resumo


Apreender as representações sociais dos familiares de usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Município de Natal-RN, a respeito de sua participação nas atividades desses serviços, foi o objetivo deste estudo. O instrumento de pesquisa utilizado foi entrevista semi-estruturada, dirigida a 28 familiares de usuários dos CAPS II Leste e Oeste e CAPSad Leste e Norte, que participavam do Grupo Terapêutico de Familiares, da Reunião de Familiares, da Assembléia de Usuários, Técnicos e Familiares, segundo a agenda terapêutica de cada serviço de saúde, no período de agosto a novembro de 2007. Os dados obtidos na identificação dos familiares e usuários foram caracterizados com o auxílio de tabelas e quadros em valores absolutos e/ou percentuais. O material discursivo, proveniente do roteiro das entrevistas, foi submetido ao recurso informacional do ALCESTE (Analyse Lexicale par Contexte d’un Ensemble de Segments de Texte) e analisado com base na Teoria das Representações Sociais e na Teoria do Núcleo Central. A maioria dos familiares foram mulheres, casadas, com idade superior a 50 anos, que participavam há mais de dois anos das atividades nos CAPS, e uma convivência superior a 11 anos com o usuário. A partir do sistema de classificação do ALCESTE foram elegidas categorias identificadas por: Categoria 1, Tratamento - Melhoras e Expectativas; Categoria 2, Convivência – Usuário Antes e Depois; Categoria 3, Atividades – Importância, Contradições e Sugestões; Categoria 4, Orientações – Psicofarmacologia e Medicalização; Categoria 5, Família - Participação e Atividades; e Categoria 6, Condições Terapêuticas – Agradecimentos, Sugestões e Vulnerabilidade. A representação social dos familiares ancora no desejo por mudanças, identificando que é preciso promover mudanças pela continuidade das atividades terapêuticas e superação das inconsistências detectadas, objetivada pelo reforço e pela estabilidade das melhorias nas condições de vida e saúde dos usuários, vivenciadas no tratamento dos CAPS. O núcleo central correspondeu a mudanças positivas nas condições de saúde e de vida dos usuários, já os elementos periféricos foram constituídos pelas condutas familiares antes e durante o tratamento, e, pelas expectativas de mudanças nas atividades, especialmente as oficinas. Apesar dessa participação familiar ser considerada importante, ainda não reúne condições para promover a inserção do familiar, sob um ponto de vista emancipador, capaz de suscitar no sujeito o desejo da autonomia, da iniciativa, do crescimento individual e coletivo, de um envolvimento mais próximo e ativo nas atividades terapêuticas, nas oficinas e nas discussões.

Palavras chave: Família; Serviços de Saúde Mental; Pesquisa Metodológica em Enfermagem; Enfermagem Psiquiátrica.


Palavras-chave


Família; Serviços de Saúde Mental; Pesquisa Metodológica em Enfermagem; Enfermagem Psiquiátrica.

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